O novo Neo da Artec 3D é um scanner 3D portátil projetado para reduzir uma das partes mais monótonas da digitalização 3D de precisão. Ele elimina a necessidade de cobrir a peça de trabalho com marcadores de rastreamento antes de iniciar a medição.
Os scanners de metrologia portáteis costumam usar marcadores reflexivos. Eles ajudam o dispositivo a estabelecer sua posição enquanto se move ao redor de um objeto. Essa abordagem funciona bem, mas a preparação de um componente grande pode levar um tempo considerável. Isso ocorre principalmente quando apenas algumas características precisam, de fato, de uma medição altamente precisa.
Com o Neo, a Artec propõe um meio-termo diferente. Em vez de colocar marcadores em todo o objeto, os usuários os aplicam principalmente nas áreas onde a precisão dimensional é mais importante. O scanner pode então usar o formato, a textura e a cor do objeto para rastrear o restante da superfície.
A Artec chama essa abordagem de “digitalização 3D orientada por tolerância”. Essa não é uma categoria consolidada da digitalização 3D. Trata-se mais de uma descrição do fluxo de trabalho que a empresa está tentando criar: concentrar o esforço de medição onde é necessário, em vez de tratar cada centímetro quadrado de uma peça como sendo igualmente importante.
Por exemplo, um engenheiro que esteja fazendo a engenharia reversa de uma grande peça de fundição pode precisar de dimensões precisas ao redor dos orifícios de rolamento, furos de montagem e faces usinadas. Enquanto isso, as superfícies brutas da fundição que os conectam precisam ser capturadas apenas o suficiente para reproduzir a forma geral. O Neo foi projetado para capturar ambas as situações em uma única sessão de digitalização, sem exigir marcadores em toda a peça de fundição.
Quando os marcadores são aplicados, o Neo atinge uma precisão de até 0,025 mm ou 0,025 + 0,035 mm por metro digitalizado. Sem os marcadores, o dispositivo faz a captura usando a mesma tecnologia de luz azul do Spider II da Artec. Esse método rastreia superfícies com base em textura e geometria em vez de alvos, alcançando uma precisão de ponto 3D de até 0,05 mm.
O problema que a Artec está abordando é real, mas não é exclusivo da empresa. Outros fabricantes de scanners seguiram um caminho diferente para reduzir a preparação com marcadores.
O Trackit da Revopoint, que avaliamos em detalhes em junho, combina um scanner a laser portátil com uma estação separada de rastreamento óptico. Em vez de depender de marcadores colados na peça de trabalho, a estação de rastreamento observa o scanner e determina sua posição no espaço. Dentro da área rastreada, isso permite que o sistema digitalize objetos sem cobri-los de pontos de posicionamento. A Revopoint afirma que o Trackit oferece uma digitalização sem marcadores, inclusive em objetos sem características de superfície úteis.
A Shining 3D utiliza um princípio semelhante em sua linha FreeScan Trak. O FreeScan Trak Nova combina um scanner portátil com uma unidade de rastreamento externa. Isso permite medições sem marcadores por meio de rastreamento óptico em tempo real. Para medições particularmente grandes, o sistema também pode usar a fotogrametria para manter a precisão a distâncias maiores. A Shining 3D observa que os marcadores ainda podem ser recomendados em superfícies muito grandes.
A desvantagem desses sistemas é bem clara. Eles quase eliminam a necessidade de preparar o objeto. No entanto, introduzem outro equipamento que precisa ser posicionado com uma visão clara do scanner.
O Neo parece abordar o mesmo problema a partir de uma direção oposta. Não há uma estação de rastreamento separada. Em vez disso, alguns marcadores continuam fazendo parte do fluxo de trabalho, mas em quantidades possivelmente bem menores.
Isso pode tornar o scanner particularmente atraente para trabalhos em que a configuração de um rastreador externo seria complicada. O trabalho de manutenção e reparo em máquinas já instaladas é um exemplo. Grandes peças de fundição, componentes de carrocerias automotivas, moldes e ferramentas são outros. Ele também pode ser útil na digitalização de objetos delicados, pintados ou de importância histórica. Nesses casos, os usuários preferem não colar um grande número de marcadores adesivos na superfície.
Outro caso de uso promissor é a engenharia reversa. Um técnico pode precisar de dimensões precisas para interfaces como padrões de parafusos e posições de rolamentos. Ao mesmo tempo, ele também pode querer um modelo completo do objeto ao redor. A capacidade de reunir ambos os tipos de informação em uma única digitalização pode ser mais conveniente do que alternar entre um fluxo de trabalho de medição de precisão e um scanner de uso geral separado.
Os números principais de precisão do Neo são competitivos em relação aos scanners de metrologia existentes. Porém, eles não são o principal motivo pelo qual o produto é interessante. A Revopoint, a Shining 3D e outras marcas já oferecem scanners capazes de realizar medições industriais de alta precisão.
A promessa mais significativa está no fluxo de trabalho.
O Neo pode fornecer medições confiáveis de áreas críticas e, ao mesmo tempo, permitir que a maior parte do componente seja digitalizada sem marcadores ou rastreadores externos. Se conseguir fazer isso, ele poderá eliminar uma quantidade surpreendente de preparação nas tarefas diárias de inspeção e engenharia reversa.
Nesse sentido, a Artec não está resolvendo um problema novo. Ela está propondo uma maneira possivelmente mais conveniente de solucionar um obstáculo com o qual os fabricantes de scanners têm lutado há anos.
A Artec informou à All3DP que o preço variará um pouco de acordo com a região, mas que “é comparável ao do Artec Leo”. Esse último é vendido no varejo por cerca de US$ 38.000 a US$ 40.000.
Licença: O texto "Novo Artec Neo foca a tarefa mais tediosa da digitalização 3D", da All3DP Pro, é licenciado pela licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0)