A R1 corta madeira, acrílico, couro, tecido e papel. Além disso, a máquina também faz gravações precisas em vidro e pedra.
A Bambu Lab acaba de ir além das impressoras 3D (que também cortam a laser) com o lançamento da R1. Trata-se de uma cortadora e gravadora a laser CO₂ autônoma de alta potência, com preço sugerido de US$ 2.499.
O que diferencia a R1 das unidades modulares de corte a laser para as impressoras 3D H2D, H2C e H2S da empresa é o seu conjunto técnico. Ela conta com um laser mais potente e versátil, uma área de trabalho maior, além de opções expandidas de materiais e mais acessórios.
A Bambu Lab posiciona a R1 como uma máquina complementar para proprietários de impressoras. O foco são os usuários que desejam adicionar materiais como madeira, couro, tecido e acrílico transparente aos seus projetos de impressão 3D. O equipamento também deve atrair pequenas empresas, oficinas, marceneiros e artesãos. Na prática, isso representa uma expansão estratégica — e já esperada — da marca para o universo da fabricação pessoal.
Em vez de reinventar a cortadora a laser CO₂ de mesa, a empresa tenta trazer para essas máquinas a mesma calibração automatizada e facilidade de uso que consagraram suas impressoras 3D. Se os novos sistemas de alinhamento de feixe, calibração de movimento, controle de vibração, foco e posicionamento de peças funcionarem de forma confiável, o verdadeiro impacto da R1 não será apenas o que ela pode cortar. O grande diferencial será o quão pouco o usuário precisará saber sobre manutenção e calibração antes de começar a usá-la.

Em termos de especificações básicas, a R1 entra diretamente na consolidada categoria de máquinas CO₂ de mesa de 55 W. Esse mercado já é ocupado por modelos como a xTool P2S (US$ 2.799) e a OMTech Polar Lite (US$ 2.199). O diferencial da Bambu Lab não é tanto o laser em si, mas a quantidade de calibração e posicionamento que a marca tenta automatizar. Com isso, o recurso mais incomum da R1 é o seu sistema de alinhamento óptico automático.
As cortadoras a laser CO₂ geralmente direcionam o feixe por meio de vários espelhos antes de chegar ao cabeçote de corte. Esses espelhos precisam estar perfeitamente alinhados; caso contrário, a potência e a precisão do corte podem ser prejudicadas. O alinhamento costuma ser um processo manual, exigindo disparos de teste e ajustes repetidos nos suportes dos espelhos.
O sistema Auto Laser Alignment da Bambu Lab muda essa dinâmica. Ele utiliza atuadores de espelho motorizados e um Laser Alignment Sensor (sensor de alinhamento) removível montado no cabeçote da ferramenta. Segundo a empresa, a R1 mede o caminho do laser e corrige o alinhamento do espelho automaticamente em cerca de um minuto.
A Bambu Lab descreve o sistema como algo inédito em cortadoras a laser. O alinhamento de feixe automatizado já existe em sistemas industriais há décadas. No entanto, o autoalinhamento motorizado parece ser bastante incomum em máquinas CO₂ de mesa nessa faixa de preço.

A empresa também está trazendo para a R1 algumas ideias de controle de movimento já conhecidas em suas impressoras 3D. Isso inclui a compensação de vibração, projetada para reduzir artefatos quando o cabeçote muda de direção rapidamente. Além disso, a R1 varia a saída do laser de acordo com a velocidade de movimento para manter a entrega de energia mais consistente. Essa é uma funcionalidade muito útil, embora a modulação da potência do laser dependente da velocidade já seja comum em controladores modernos.
A Bambu Lab afirma que a R1 pode operar em velocidades de até 1.000 mm/s. Para uma máquina CO₂ com tubo de vidro de mesa nessa categoria de preço, essa velocidade é alta. Como comparação, a xTool P2S atinge 600 mm/s e a OMTech Polar Lite chega a 500 mm/s. Cortadoras mais caras, como a xTool P3 de 80 W, alcançam 1.200 mm/s, enquanto a Polar 2 da OMTech (com tubo RF de 50 W) anuncia 2.000 mm/s. É importante notar que essa métrica descreve principalmente a velocidade de gravação e movimentação, e não a rapidez com que a máquina cortará madeira grossa ou acrílico.
Uma placa de calibração opcional, chamada Vision Encoder, pode ser usada para compensar o desvio mecânico no sistema de movimento. A fabricante diz que isso ajuda a manter a precisão absoluta do movimento dentro de 0,1 mm em toda a área de 600 mm. Isso é bem diferente de simplesmente citar a resolução de passo teórica dos motores: a placa de calibração foi projetada para medir erros reais de posicionamento mecânico em toda a máquina e compensá-los.

A R1 possui uma área de trabalho de 600 x 300 mm. Ela conta com um acessório opcional de esteira (Conveyor) para lidar com materiais de até três metros de comprimento. Isso abre as portas para a criação de placas maiores, painéis e componentes na escala de móveis. Um acessório rotativo (Rotary) para peças cilíndricas ou curvas também é vendido separadamente.
A máquina vem equipada com um laser CO₂ de 55 W. É um salto significativo em relação aos lasers de diodo de luz visível encontrados nos combos de impressora 3D/cortadora a laser da marca. As unidades H2D e H2C, por exemplo, podem ser equipadas com lasers de apenas 10 W ou 40 W.
O laser CO₂ tem a capacidade de cortar acrílico transparente — algo impossível com os lasers de diodo — e gravar em vidro. A Bambu Lab afirma que a R1 pode cortar compensado de nogueira preta de até 18 mm de espessura e chapas de acrílico de até 20 mm. Esses números são competitivos, mas não inéditos. A xTool faz promessas quase idênticas de corte em passe único para sua P2S de 55 W (18 mm em basswood e 20 mm em acrílico). Contudo, os diferentes tipos de madeira e a fabricação dos compensados tornam essas medidas difíceis de comparar de forma direta.

A R1 também utiliza o que a marca chama de “TriSense System” para posicionamento, foco e rastreamento de movimento.
A BirdsEye Camera fornece uma visão de toda a área de trabalho. Enquanto isso, uma segunda câmera montada no cabeçote auxilia em um posicionamento mais preciso. Um laser de marcação exibe a posição exata de corte diretamente no material.
Outro laser mede a distância até a peça e ajusta o foco automaticamente, inclusive ao trabalhar em superfícies curvas. Paralelamente, encoders XY rastreiam a posição do cabeçote da ferramenta em tempo real.
Nenhuma dessas tecnologias de sensores é inédita isoladamente. A P2S da xTool já combina câmeras duplas, foco automático e gravação em superfícies curvas. Máquinas mais novas, como a xTool P3, adicionam até o uso de LiDAR. O diferencial da Bambu Lab está na forma como ela unifica a visão da câmera, a indicação direta do laser, a medição de distância e a calibração de movimento em um único sistema integrado.
A Bambu Lab garante que essa combinação permite que a R1 rastreie artes impressas e as recorte com uma margem de erro inferior a 0,2 mm. O sistema também permite gravar objetos curvos com muito mais consistência.
Em sua configuração padrão e fechada, a R1 é classificada como um produto a laser de Classe 1, de acordo com a norma IEC 60825-1. Isso significa que o feixe de laser permanece contido durante o uso normal com a tampa fechada, dispensando a necessidade de óculos de segurança, segundo a empresa.
A máquina inclui uma trava de segurança que interrompe o laser quando a tampa é aberta. Ela também possui sensor de chama, parada de emergência e um sistema de ventilação de fluxo cruzado projetado para direcionar a fumaça até a exaustão.
Além disso, a Bambu Lab venderá o purificador de ar E1 Pro Air Purifier e um sistema automático de extinção de incêndio (Auto Fire Extinguishing System) como acessórios opcionais.
No entanto, existe uma diferença importante ao usar acessórios para materiais maiores. A fabricante avisa que a instalação da base de elevação (Riser Base) ou da esteira (Conveyor) faz com que a estrutura não seja mais totalmente fechada. Nessas configurações, a R1 se torna um dispositivo a laser de Classe 4. Portanto, o uso de óculos de proteção apropriados para laser CO₂ passa a ser obrigatório. A empresa reforça que essas configurações são destinadas ao uso profissional por pessoas devidamente treinadas.
Em vez de criar um ambiente de software separado para o laser, a Bambu Lab está integrando a R1 ao seu ecossistema existente. A máquina utiliza o Bambu Suite no Windows e macOS. Além disso, ela se conecta à mesma conta Bambu e à plataforma MakerWorld que os usuários já utilizam em suas impressoras 3D.

Diferente da maioria das impressoras 3D da Bambu Lab, a R1 não vem com uma ampla gama de acessórios inclusos.
Uma lente de foco curto acompanha a máquina, mas as lentes de foco médio e longo são opcionais. As lentes intercambiáveis oferecem um equilíbrio entre a resolução de gravação e a profundidade de foco. A lente de foco curto inclusa produz um ponto menor, ideal para detalhes finos e materiais finos. Já as lentes de foco médio e longo proporcionam maior profundidade de foco. Isso é útil para materiais mais grossos ou menos planos, mas sacrifica um pouco da resolução em detalhes delicados.
A Riser Base, o Conveyor, o acessório rotativo (Rotary), o Vision Encoder, o purificador de ar E1 Pro Air Purifier e o Auto Fire Extinguishing System são vendidos separadamente.
A pré-venda começa na loja online da Bambu Lab no dia 22 de setembro. As primeiras unidades da R1 estão programadas para envio em outubro.
O preço da Bambu Lab R1 é de US$ 2.499 nos EUA, não incluindo impostos, mas com frete grátis. Na União Europeia, a máquina custará 2.499 €, com impostos inclusos, mas sem o valor do frete.
Licença: O texto "Bambu Lab lança cortadora a laser R1: especificações, preço e recursos do novo equipamento", da All3DP, é licenciado pela licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0)